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Relacionar-se é uma arte.

Primeiro de tudo, nos relacionamos com nós mesmos.

Estamos em constante conversa interna, decidimos a todo minuto: para que lado dar o próximo passo, para onde olhar, o que deixar pensar, quais palavras escolher para traduzir em fala o que sentimos e pensamos, qual a próxima ação a ser feita, como impactar.

Depois dessa conversa interna e inclusive durante ela, relacionamos com o outro, pois vivemos em sociedade, somos seres sociais.

Mais ainda:

Para concretizar ações e torná-las projetos reais, muitas vezes precisamos da interação, da troca, da construção conjunta.

E mais:

Aprendemos na troca, no compartilhamento, inclusive quem somos, a partir da forma como vemos o outro, o mundo e a nós mesmos.

Relacionar-se é, de fato, uma arte.

E neste contexto de relações, percebemos algo comum que permeia todas essas interações.

Algo que faz a dinâmica acontecer, que dá movimento, onde a arte acontece.

Este algo chama-se comunicação.

Nos comunicamos internamente com nossas ideias, nossas vontades, nossas verdades.

E depois externamente com tudo e todos a nossa volta, com a vida.

E, sabendo da grandeza e do impacto constante desta rotineira atividade, cuidamos a forma como nos comunicamos? Como a fazemos? Pensamos nisso? Cogitamos que ela seja efetiva? Que produza efeitos positivos?

Muitas vezes tomamos a comunicação como algo tão rotineiro que somente improvisamos, não pensamos nisso, não damos valor ou importância ao seu impacto e, consequentemente, não nos preparamos.

E se pensamos que a comunicação envolve também a própria dinâmica da relação, temos uma outra palavra chave que entra na jogada, que significa a interação entre interesses, sejam eles internos ou externos, para a tomada de decisão.

Temos aí a negociação.

Mas não no sentido do mundo corporativo da compra e venda apenas, e sim na vida real e no relacionamento humano.

E, de novo, nos damos conta que estamos constantemente negociando?

Constantemente temos interesses interagindo para tomadas de decisão.

Ao não nos darmos conta disso, novamente, não nos preparamos e seguimos no improviso.

E quando há conflitos?

Nos damos conta que muitas vezes a falta de cuidado com a comunicação e de preparo para a negociação pode ser justamente a causa?

Muitas perguntas, e qual a dica para respondê-las?

Paradoxalmente ou não, o mundo do direito tem buscado respostas e a experiência internacional trouxe uma forma de construí-las que tive a feliz oportunidade de conhecer em 2017. Trata-se da Competição Internacional de Negociação, que consiste em um momento por ano em que estudantes de direito de várias partes do mundo se unem para compartilhar vivências e aprendizados, justamente em comunicação e negociação, impactando diretamente no aprimoramento dos relacionamentos humanos.

A negociação, em conjunto com a eficiência na comunicação, é vista neste evento para além de uma ferramenta útil para a resolução de conflitos, sendo identificada também como uma técnica de potencialização oportunidades, uma técnica para a arte de relacionar-se.

Para participar deste evento internacional, os estudantes precisam ter sido selecionados em uma qualificatória nacional em seu país de origem. No entanto, nos 20 anos de existência deste evento internacional, nem o Brasil nem nenhum país da América Latina tinha participado: até o ano passado.

Após ser impactada pela dinâmica do evento internacional em 2017, e ver nele um ambiente que proporciona o aprimoramento vivencial do relacionamento humano na sua essência, me incumbi no desafio de incluir o Brasil neste espaço e iniciar a primeira Qualificatória Brasileira para a Competição Internacional de Negociação.

Para potencializar a dinâmica de vivência e aprendizado, e assim transcender a competição e chegar à capacitação pelo compartilhamento, a qualificatória brasileira recebeu um nome próprio, que transmite o seu propósito, e assim nasceu o Meeting de Negociação.

Este pioneiro evento brasileiro teve sua primeira edição nos dias 25 a 27 de maio de 2018, em Porto Alegre, e contou com 12 universidades participantes de 7 estados brasileiros, 80 estudantes e 40 profissionais: todos interessados em olhar para a comunicação e para a negociação, ou seja, para oportunidades de melhoria no relacionamento humano e potencialização de oportunidades.

Sua segunda edição recebeu uma considerável expansão, tendo sido realizadas 5 Etapas Regionais – Qualificatórias (em português) nas 5 regiões do Brasil, no mês de março, com o envolvimento de 36 equipes e, em abril, a Etapa Nacional (em inglês) em Belo Horizonte, com a participação das 20 equipes melhores colocadas das regiões, totalizando mais de 500 envolvidos.

Este evento mostra que é possível respondermos as perguntas feitas e que não estamos sozinhos nessa, pois mais de 30 países de todo o mundo estarão representados no evento internacional, que ocorrerá em Tóquio em julho deste ano.

Estarei lá com a equipe brasileira classificada, compartilhado vivências e potencializando um mundo mais humano e consciente.

 

Camile Souza Costa

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